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Artigo - Castells propõe outra democracia



Num diálogo com acampados em Barcelona, sociólogo sugere: política é muito mais que representação; internet livre é chave da mudança

Transcrição e tradução: Daniela Frabasile

Estranha Europa. No terreno dos direitos sociais e da política institucional, um passo atrás sucede o outro, numa espiral descendente que parece não ter fim. Na última semana, a Itália promoveu nova rodada de privatizações e ataques ao estado de bem-estar social (entre outros pontos, acabou a gratuidade das consultas médicas com especialistas, na rede pública de saúde). Medidas semelhantes têm sido adotadas há pelo menos um ano e meio, desde que o continente decidiu cobrar das sociedades o desfalque provocado nas finanças públicas pelo socorro aos bancos… As eleições, que deveriam corrigir tais retrocessos, parecem impotentes. Os partidos com chances reais de chegar ao poder igualaram-se, ao aderirem a um “pensamento único” que nunca ousa tocar os lucros do sistema financeiro. A esquerda mais radical parece, como tantas vezes, incapaz de dialogar com as maiorias.

E no entanto, engana-se quem julga que tudo são misérias. Nos últimos meses, a Europa converteu-se num laboratório de novas formas de mobilização da sociedade civil – marcadas pela autoconvocação e busca de autonomia. O processo começou em setembro de 2010, quando os estudantes britânicos e italianos mobilizaram-semaciçamente (e de modo muito criativo) contra a cobrança de mensalidades (no Reino Unido) e uma contra-reforma universitária (na Itália). Ampliou-se a partir de maio, quando a juventude espanhola transformou em acampamentos as praças principais de dezenas de cidades, para protestar contra o sequestro do futuro coletivo por “políticos e banqueiros”. Daí derivou a ocupação da Praça Syntagma, em Atenas.

De que modo estas novas formas de expressão e de luta poderão transformar a sociedade? Em todas as mobilizações recentes, busca-se uma nova democracia (e se procura praticá-la em micro-escala, na gestão de assuntos como alimentação, limpeza e segurança dos acampamentos). Constata-se que, na Europa, as instituições que deveriam representar a sociedade – Parlamentos e governos – perderam ou abandonaram este papel.

No entanto, é nestas instituições que ainda se concentra o poder – inclusive o de estabelecer ou extinguir direitos. É preciso, portanto, incidir sobre elas, pressioná-las – ainda que se procurem caminhos para superá-las, Como articular esta dialética, que exige reivindicar de quem se considera ilegítimo?

As praças espanholas foram, além de tudo, palco de importantes reflexões teóricas a este repeito. Os debates eram feitos ao ar livre, sem nenhuma solenidade – mas com muita densidade e empenho criador. Na Praça Catalunha, em Barcelona, o sociólogo e filósofo Manuel Castells compareceu a um dos diálogos. Falou cerca de 50 minutos, sobre Comunicação, Poder e Democracia. Lembrou sua condição de participante ativo dos movimentos de maio de 1968 – talvez o primeiro momento em que se reivindicou coletivamente a superação democrática das instituições surgidas da revolução francesa. Foi, como é de seu costume, claro e incisivo. Em alguns momentos, não se furtou a recomendar ações e posturas: por exemplo, a luta pela universalização do acesso à internet e a atitude de não-violência ativa.

Os vídeos com a fala de Castells estão disponíveis na internet (veja ao final do texto). Para que possa circular mais amplamente e despertar reflexão mais profunda, Outras Palavras transformou-o em texto escrito e traduziu-o para o português. Ótima leitura!(A.M.)

Meu nome é Manuel Castells. Sou professor e investigador da Universidade da Catalunha. Estou aqui para falar com vocês sobre Comunicação, Poder e Democracia. Uma das acampadas perguntou-me se gostaria de comparecer ao acampamento para falar de algumas das ideias que tenho desenvolvido há muitos anos, precisamente sobre este tema, e que estão reunidas num livro que lancei há pouco, Comunicação e Poder. Fiquei encantado, porque acho central debater publicamente estes temas. Quis contribuir à maneira que posso para um movimento que ocorre em Barcelona, na Catalunha, na Espanha e em outros países. Ontem, já havia 706 acampamentos em todo o mundo e continuam a se multiplicar. São como a água. Quando ela corre, passa por qualquer lugar, supera obstáculos.

Quando há uma necessidade real, sentida em muitas sociedades, baste que a luta por ela comece a se expressar em alguma parte para que se difunda um sentimento de que “nós também podemos”. Foi o que ocorreu, por exemplo, com as revoluções árabes. É interessante que um dos sites mais atualizados sobre o movimento [espanhol] chama-se “Yes, we camp”, reproduzindo o que Obama disse em sua campanha – embora saibamos que agora as coisas estão mais complicadas. O importante é que muitas pessoas, em todo o mundo, não aceitam a fatalidade da crise e pensam que podem fazer algo – o quê, ainda não sabem – para enfrentar a miséria política predominante e recuperar o papel de protagonistas que as pessoas sempre desejaram ter em seu futuro.

Não estou aqui para fazer um discurso político, mas para compartilhar o que pude fazer, em termos de investigação, reflexão e análise a este respeito, durante muitos anos. Começarei debatendo qual a relação entre comunicação e poder. Debaterei em seguida a crise que a democracia está vivendo e as soluções concretas que se propõem para a reconstrução desta democracia.

* * *

As relações de poder são essenciais em todas as sociedades e através da História. São, aliás, as relações essenciais em nossas sociedades, porque quem tem poder constrói as instituições em função de seus interesses e valores. As instituições que vivemos são, cada vez mais, simples expressões destas relações de poder.

Mas como se forma o poder? Ele está fundamentalmente em nossas mentes: não fora, mas dentro de nós. Claro que há, também, a violência e a intimidação, para o caso de nos atrevermos a pensar diferente – mas a História demonstra que um poder que se apoia apenas na violência é sempre débil. Para superá-lo, é preciso passar por muito sofrimento. Mas, em última instância, a dominação das mentes é muito mais eficaz que a tortura.

Por isso, a batalha do poder está em nossas mentes, na forma que pensamos. Ela determina o que fazemos. E as mentes são redes: redes neuronais, que formam suas visões de mundo, suas concepções, em relação com outras pessoas, outras mentes, outras redes de neurônios e com as redes de nosso entorno social e natural.

Tudo isso é o processo de comunicação. Ela é simplesmente a conexão entre distintas redes neuronais. O entorno comunicativo e o que se passa nele é, portanto, o elemento fundamental através do qual nossas mentes funcionam e, portanto, formam-se as relações de poder.

Onde quer que haja poder, haverá resistência a ele.
E o controle da comunicação foi sempre
a forma fundamental de exercício do poder

Felizmente há sempre, nas sociedades, não apenas poder mas, também, contrapoder. Se existe uma lei social geral certamente válida, é que sustenta: onde quer que haja dominação, haverá resistência a ela. Em consequência, ao longo do tempo e também aqui, hoje, o que aparece como “normal”, “natural”, “estabelecido”, “acordado” são simplesmente os resultados dos compromissos de luta e negociação que se dão entre distintos interesses e valores na sociedade. Quem ganha, vai ampliando seu poder nas instituições. Quem contesta o poder e apresenta ideias novas, se tem poder suficiente, vai mudando estas instituições. Esta é a História, continuamente. O vai-e-vem entre o velho e o novo; entre os interesses que já estão cristalizados, burocratizados nas instituições e as interesses e valores de quem quer propor uma nova maneira de ser e viver.

É por isso que o controle da informação e da comunicação foi sempre a forma fundamental de exercício do poder. O controle dos governos, das grandes empresas midiáticas – esta é a forma essencial. E por isso a política transformou-se, hoje, em algo midiático. O que não existe nos meios, não chega aos cidadãos – e, portanto, não existe. Aliás, o mais importante da política mediática não é tanto o que dizem os meios, mas o que eles ocultam: a ausência de mensagens, opiniões e alternativas.

Na medida em que há uma mudança organizativa e tecnológica no entorno da comunicação, mudam também os processos de comunicação, e como consequência as relações de poder. Qual a mudança fundamental que temos observado nos últimos anos? É a passagem de um sistema totalmente dominado pela comunicação de massas, e centrado nos meios de comunicação de massas, para um sistema que chamo de auto-comunicação de massas, através da internet.

Por auto-comunicação de massas podemos entender a capacidade de cada pessoa para emitir suas mensagens, selecionar as que quer receber e organizar suas próprias redes – nas quais os conteúdos, as formas e os participantes são definidos de forma autônoma. É claro que isso acontece em um cenário dominado por grandes empresas de comunicação e pelas empresas de internet. Porém, dentro desse espaço existem possibilidades infinitamente maiores que havia no espaço tradicional dos meios de comunicação de massa. Pode-se organizar redes horizontais de comunicação interativa, que chagam à sociedade através de pessoas, interesses, valores e grupos sociais não representados pelos sistemas corporativos de poder. Em consequência, ampliou-se extraordinariamente o espaço para a comunicação conflitiva, e portanto o espaço de auto-representação das pessoas na sociedade.

Durante anos, minhas observações dos movimentos sociais mostram que essa autonomia comunicativa tem sido aproveitada, para organizar e ampliar a mobilização. Desde março de 2004, na Espanha, existe um movimento espontâneo, através de mobilizações, provocadas pelas mentiras do governo naquele momento. Tudo o que se passou nos últimos anos e as revoluções árabes, toda essa experiência mostra que o processo muda a partir do momento em que é produzida alguma indignação por algum ato que já não se pode suportar. A partir dessa indignação organiza-se um debate. Desse momento em diante, as iniciativas de rede, do ciberespaço, passam ao espaço urbano, e se organiza uma interação entre o espaço urbano e o da rede virtual. Ela organiza, mobiliza, gera uma dinâmica que modifica instantaneamente as relações de poder na sociedade, e começa a influenciar o mais importante: as mentalidades das pessoas.

As pessoas percebem que não estão sozinhas e se tornam mais fortes. O sistema passivo de comunicação e democracia consiste em isolar as pessoas e agregá-las em função dos que controlam o poder

De repente, as pessoas percebem que não estão sozinhas. O que sentem, o que pensam, outros também sentem e pensam. E quando não estão sozinhas, as pessoas são mais fortes. Porque todo o conjunto do sistema passivo de comunicação e de democracia consiste em isolar essas pessoas e agregá-las em função dos que controlam os sistemas de poder nas instituições. A separação e agregação segundo o que já está estabelecido fazem com que só se possa pensar através dos sistemas predeterminados pelos interesses que dominam as instituições. A partir do momento em que surge uma dinâmica espontânea de organização em rede, na internet, nas ruas e nas relações interpessoais – a partir daí, a dinâmica muda. Quando as pessoas já não estão sozinhas, quando sabem que estão juntas, produz-se a mudança mais importante nas mentes,. Perde-se o medo de dizer e de fazer. Porque o medo é a emoção primordial do ser humano, porque todos somos descendentes de covardes, pois se os valentes não corressem o suficiente, eram pegos pelas feras.

Portanto, toda a sociedade está baseada na capacidade de instigar o medo nas pessoas, e na capacidade das pessoas em superar esse medo. Essa superação só pode ser feita em grupos, nunca individualmente. É da superação do medo, através da reunião de indivíduos em grupos – mas sem deixar a sua individualidade – que começam a surgir críticas, alternativas e debates sobre que outras formas de vida são possíveis.

* * *

Isso permite colocar saídas para a crise da democracia atual. Em todo o mundo, estamos vivendo uma crise muito séria e profunda da democracia. A democracia representativa foi uma conquista histórica dos povos, que custou muito sangue, suor e lágrimas, contra os despotismos que dominaram grande parte do mundo. Porém, a partir do momento em que já se constituem instituições democráticas, imediatamente formam-se partidos políticos, que definem as regras da participação política de acordo com seus interesses e os interesses que representam. Fecham-se outras vias de representação e se assegura por lei eleitoral que apenas os partidos majoritários podem governar.

A democracia representativa é reduzida, a distância em relação aos cidadãos aumenta, e a classe política organiza-se como classe própria, como trabalho profissional. Já não importa qual ideologia o político segue, ou se é corrupto ou não. Eles podem dizer: “a política sou eu, a política é o partido e o partido sou eu”. Qualquer tipo de intervenção política tem que passar por essa instância estrutural dos partidos. Em consequência, quando há corrupção, há impunidade. Quando há erros graves na condução de políticas sobre a crise econômica, não se responsabiliza ninguém por tais erros e pelas consequências que produziram sobre os cidadãos. Só quando chegam as eleições os políticos pagam por seus erros. Mas o eleitor deve escolher entre dois menus da mesma cozinha. Porque as leis eleitorais foram construídas para que os partidos majoritários continuem sendo majoritários. A menos que ocorram “terremotos eleitorais”, o que não é impossível, mas só acontece como consequência de mudanças sociais profundas.

Dois terços dos cidadãos do mundo acreditam que não são
governados democraticamente. Dizem que vivem numa democracia,
porém ela não é democrática. E isso é considerado normal

Dois terços dos cidadãos do mundo acreditam que não são governados democraticamente. As pessoas dizem que vivem em uma democracia, porém ela não é democrática. E isso é considerado normal. A classe política é o grupo mais desprestigiado em todas as pesquisas internacionais sobre prestígio profissional. Inclusive, na Itália, os mafiosos e as prostitutas se saíram melhor que os políticos. As pessoas diziam que pelo menos eles dizem o que fazem, diferentemente dos políticos. Insisto que isso é prejudicial para a maioria dos políticos, que são honestos e tentam fazer seu trabalho. Mas quando há um sentimento tão generalizado no mundo, os políticos fizeram algo que os colocou como classe homogênea, porque não é excepcional: foi empiricamente constatado pelos estudos de sociologia política.

Quando as coisas vão “mais ou menos”, tudo continua igual. Estudos mostram que 75% das pessoas votam contra alguma coisa, e não a favor. As mensagens na propaganda política são, na maioria das vezes, negativas, pois os profissionais de marketing político sabem que uma mensagem negativa tem cinco vezes mais impacto que uma mensagem positiva. Portanto, todos atacam todos, e assim todos os políticos afundam na opinião das pessoas.

Porém, quando as coisas vão mal, quando há uma crise, há um despertar de interesse por saber como as coisas poderiam ser diferentes. Quando os cidadãos percebem que não estão satisfeitos com as alternativas que existem, cria-se uma insatisfação. Então, rompe-se a confiança básica entre os cidadãos e aqueles que os deveriam representar. Esse desencontro entre o que as pessoas pensam e seus representantes significa que os representantes da democracia caminham para um lado, enquanto o sentimento dos representados vai por outro.

Devemos lembrar que, de acordo com o modo como se organiza a insatisfação popular, podem ocorrer movimentos extremistas, fascistas, racistas, xenófobos, que já se vê na Catalunha. Foi o que ocorreu na crise dos anos 30 – da qual não surgiu a revolução socialista, mas o fascismo. Por esse motivo, é importante que outros movimentos coletivos, com valores positivos, humanos, humanistas ocupem o espaço para preencher essa lacuna entre a política e a sociedade.

Portanto é necessário que a ideia de uma reconstrução da democracia esteja nas ruas, aqui e no mundo. Aqueles que representam a democracia hoje não podem fazer essa reconstrução, pois ela vai contra seus interesses como grupo profissional e grupo político. Muitos tentaram implantar mudanças, porém seus próprios partidos cortaram esses projetos. É o sistema que bloqueia essa reconstrução, e não os indivíduos. Esses sistemas têm interesses poderosos, relacionados ao poder político, econômico, cultural, tecnológico. Se não houver uma pressão social, não haverá mudança. E a mudança social inicia com as mentes: o que muitas pessoas estão fazendo, aqui e em outros lugares, é mudar a forma de pensar de si mesmas e das demais, pensar diferente e pensar juntos.

* * *

Três temas me parecem básicos para a reconstrução da democracia. Poderiam ser debatidos aqui. Um é a democracia através da comunicação. Outro é que tipo de instituições democráticas e de reforma democrática necessitamos. Por último, se existem outras formas de democracia.

A comunicação é fundamental, pois é a base da relação entre poder e contrapoder. A democratização da comunicação é o princípio da democratização das instituições da sociedade. A comunicação para toda a sociedade é um direito fundamental: a comunicação livre, autônoma e para todo o mundo é um direito tão fundamental quanto a saúde e a educação. Esse direito concretiza-se hoje pela internet e pelas redes móveis como direito humano fundamental.

O acesso à internet precisa ser universal. Também o acesso à telefonia foi subsidiado. É essencial multiplicar pontos de acesso.
As pessoas precisam poder acessar quando necessitarem

O acesso à rede precisa ser universal e subsidiado. A forma de financiar este direito depende das negociações entre os reguladores públicos e as empresas de telecomunicação. Na história das telecomunicações, o acesso à telefonia foi subsidiado em diversos países e o mesmo pode ser feito com a internet. Também é essencial a multiplicação de pontos de acesso público e gratuito, nos centros sociais, nas escolas, nas bibliotecas, para que a internet seja sempre algo possível para todos. As pessoas precisam poder acessar quanto necessitarem. Porém, isso não significa que só devemos nos comunicar pela internet. Por exemplo, a ideia de votar pela internet é um gravíssimo atentado à democracia, e a ideia de que as consultas médicas só deveriam ser feitas pela internet também é prejudicial. É preciso ter opções. O direito fundamental é ao acesso. Ele permite que todos se comuniquem com todos; permite a construção de uma rede em função de nossos projetos, nossos interesses e nossos sonhos.

Além disso, é preciso lutar pela liberdade de internet, pois o acesso à internet não é o mesmo que uma internet livre. Acabar com a censura, acabar com a invasão de privacidade, que é uma prática constante, e a livre circulação de conteúdos digitais. Implica ir a quem está por trás das leis: empresas de conteúdos culturais e os grupos de pressão que atuam para que não haja liberdade na internet (…).

Também é preciso que se crie instituições e processos democráticos de forma concreta. Existem medidas muito concretas para uma reforma política e institucional.. A reforma na lei eleitoral para que não se discrimine as minorias políticas, e a possibilidade de contabilizar votos nulos e brancos. Como fazê-lo? Para isso, é preciso imaginação. Mas acredito que a ideia de representar os votos nulos e brancos no parlamento é muito interessante. Entre outras coisas, porque nas eleições de Barcelona, por exemplo, eles somam quase 7%.

A possibilidade de eleger pessoas não filiadas a partidos é básica. Um dos maiores escândalos da democracia é que se vote apenas em um partido. (…) Infelizmente, ninguém diz nada sobre isso, tudo continua igual, porque os que podem mudar são aqueles que se beneficiam desse sistema.

Quanto ao governo, insisto na transparência informativa absoluta pela internet. Tudo o que os cidadãos têm o direito a saber, tem que estar na internet, acessível. Mas não em letras pequenas em cinza, e sim como um sistema dinâmico, usando técnicas como as da publicidade, que torna as informações compreensíveis. Dessa forma se abriria a possibilidade de começar a construir alguma confiança nas instituições democráticas.

A internet deveria se utilizada em processos participativos e de consulta.
A participação precisa ser mais que presenciar uma
reunião burocrática, ao final de um dia de trabalho

As enormes possibilidades da internet também deveriam ser utilizadas para processos participativos e de consulta, em uma grande quantidade de problemas concretos, particularmente em nível municipal. A democracia participativa pode ser muito ampliada, se puder ir além da presença em uma comissão municipal burocrática, depois de um cansativo dia de trabalho. Se os processos de participação fossem estendidos a internet, inclusive com voto indicativo, a democracia poderia ser mais abrangente. Os representantes políticos teriam que ser submetidos a organismos que os supervisionem, mas isso daria muito trabalho. Insisto nesse ponto que as propostas do acampamento são muito precisas e vale a pena pensar nelas, refletir sobre elas e debatê-las.

Mas há algo mais importante. É a criação de novas formas de democracia, a partir dos processos de debates em curso. O mais importante, na minha opinião, não é o que se propõe, mas como se propõe. Não é tanto o que se faz, mas como se faz. Pois é aí que está a questão. Uma democracia futura não sairá de documentos, por mais completos e bem formulados que sejam. Sairá de práticas coletivas, que vão experimentando novos mecanismos de deliberação, representação e decisão. Vamos aprendendo no caminho. Esse é o método, diria eu, político e científico. Através de experiências, pois é muito difícil que alguém invente um sistema novo, que substituiria o outro sem que haja debates e sem que as pessoas saibam exatamente o que está acontecendo. Daí a importância do que está sendo feito aqui e em outras ocupações de praças:, a participação em comissões, a coordenação de comissões e o poder de decisão das assembleias; que cada coletivo específico gere suas próprias formas que podem ser controladas pelas pessoas que participam. É o que está sendo feito aqui, mas não apenas aqui, não apenas nos acampamentos, mas na sociedade.

O resultado disso seria a substituição da democracia dos partidos para a democracia das pessoas. É essencial o que já está sendo feito, que não haja líderes no processo, que se troquem as posições de influência, que se mantenha a abertura total, e tolerância total ao debate. O direito à estupidez é um direito humano fundamental, e deve ser respeitado. Que não haja mecanismos formais de militância, como não há aqui, que se confie, sobretudo, na capacidade coletiva, por interação, por uma estrutura em rede, de autocorreção dos defeitos, no conjunto da sociedade. Isso não é uma utopia, isso está sendo feito aqui, e se é feito aqui, pode ser feito na sociedade.

Não defendo isso como modelo único, mas em uma fase de experimentação. Essa forma de participação permite ver a emergência de modelos distintos, na prática. É um processo lento, porque queremos ir longe. Vamos fazer o que gostamos, vamos criar uma democracia, tranquilamente, e não depressa, como o é a vida hoje em dia.

Minha grande experiência com movimentos sociais – começando com maio de 68, do qual participei ativamente – me diz que aqui, e que em todos os acampamentos ao redor do mundo, existem raízes. Porque quaisquer que sejam as formas, elas se expandirão. Impulsionarão mudanças profundas, precisamente por ser este um movimento de pessoas, não de organizações. E as pessoas não são criadas ou destruídas, mas as pessoas se transformam.

É essencial que esse processo de reconstrução da democracia
sustente um princípio fundamental. Um imperativo categórico,
que na minha opinião, já se expressa: a não-violência

Mas não será fácil. E quando os poderes se derem conta de que as praças falam sério – pois ainda não se dão conta disso – reagirão, provavelmente de forma violenta. Existem muitos interesses em jogo. Por isso é essencial que esse processo lento e profundo de reconstrução da democracia viva com um princípio fundamental. Um imperativo categórico, que na minha opinião, já se expressa aqui, que é a não violência.

Depois de 11 dias de acampamentos por toda a Espanha, não houve nenhum incidente violento. Por isso, a violência provável do poder deve ter como resposta a não-violência das pessoas. E para isso é preciso muita coragem, porque responder a violência com violência é uma reação de medo. Será preciso trabalhar muito com as pessoas que têm tanto medo, que não o superam, e que se tornam violentas. É preciso ir a um nível superior, o da superação do medo a partir da aceitação medo. A única forma de superar o medo é sair da solidão, juntar-se com os demais, e se superarem o medo sem violência, tudo é possível.

Se precisasse criar um slogan, ele seria: medrosos do mundo inteiro, uni-vos pela rede, pois só podem perder seu medo.

Fonte -

http://www.outraspalavras.net/2011/07/18/castells-propoe-outra-democracia/

George Orwel fiel a seus princípios


Nascido há mais de um século, o revolucionário e radical George Orwell continua atual. "1984", o livro mais conhecido do autor que criou expressões como "guerra fria" e "Big Brother", chega agora aos 60 anos.


por Sergio Amaral Silva (*)



"Se a liberdade significa alguma coisa, será, sobretudo, o direito de dizer às outras pessoas o que elas não querem ouvir." "1984", George Orwell
Ilustração David Singhiser
George Orwell é o pseudônimo de Eric Arthur Blair, nascido em Bengala, na Índia sob dominação inglesa, em 25 de junho de 1903. Sua mãe tinha ascendência francesa, e seu pai era um funcionário civil da marinha britânica. O garoto foi educado na aristocrática Academia de Eton e, desde cedo, mostrava sua decepção com a sociedade de que fazia parte, revelando uma precoce rebeldia intelectual.
Aos 19 anos, entrou na polícia imperial britânica, passando os cinco anos seguintes entre a Índia e a Birmânia (atual Mianmar). Nesse período, revoltou-se contra a política colonial opressora da Inglaterra, desertando em 1927. Da experiência resultariam alguns de seus primeiros ensaios e seu romance de estreia, "Dias na Birmânia", publicado em 1934.
No final dos anos 1920, de volta à Europa, Blair renegou sua origem, sua fortuna e o próprio nome, por considerá-los vergonhosos. Adotou o pseudônimo de George Orwell e passou a viver como operário de fábrica em Paris e depois como professor primário em Londres. Em 1933 sairia seu relato sobre essa vivência de miséria e falta de liberdade, "Na Pior em Paris e Londres". Foram tempos difíceis para o escritor, que em 1935 publicou A "Filha do Reverendo" e, em 1936, "Keep the Aspidistra Flying".



CRÍTICA
Se Orwell se deixasse abater pelos obstáculos iniciais, teria encerrado prematuramente a carreira. Um exemplo? Um de seus primeiros trabalhos recebeu da crítica o amável comentário de que ele escrevia "como uma vaca com uma espingarda"...
Alguns anos mais tarde, Orwell já começava a ser reconhecido como um autor de talento, ao mesmo tempo em que adotava atitudes cada vez mais radicais. Assim, engajar-se na Guerra Civil Espanhola , que começou em 1936, foi para ele um ato natural. Conforme suas próprias palavras, "reconheci imediatamente que era um estado de coisas pelo qual valia a pena lutar".

Em 1937, publicaria "O Caminho Para Wigan", narrando a extrema pobreza dos trabalhadores das minas do norte da Inglaterra. No livro, afirmou que desejava "escapar de toda forma de dominação do homem sobre o homem".
No mesmo ano, foi para a Catalunha, onde se alistou para lutar contra o fascismo ao lado dos anarquistas do Partido Operário de Unificação Marxista, o POUM . Foi para a frente de batalha.
Em Barcelona, ele e seus companheiros começaram a ser perseguidos pelos comunistas, que deviam ser seus aliados. Isso acabou revelando o caráter duplo da posição dos russos.


A Guerra Civil Espanhola
(1936-1939)
Opôs de um lado forças ultranacionalistas e fascistas, aliadas às classes e instituições tradicionais da Espanha, e, do outro, forças socialistas, representadas pela Frente Popular, com o apoio de sindicatos e partidos de esquerda. Muitas personalidades internacionais acompanharam de perto o conflito: como correspondentes de guerra, por ali passaram, entre outros, os fotógrafos Robert Capa e Gerda Taro, os escritores norte-americanos Ernest Hemingway, John dos Passos e Dorothy Parker, além de Erika e Klaus Mann, filhos do escritor alemão Thomas Mann. O escritor francês André Malraux, que posteriormente se tornaria ministro da Cultura da França, participou ativamente em missões aéreas de reconhecimento e ataque. George Orwell foi integrante das milícias do Partido Operário de Unificação Marxista (Poum) da Catalunha e relata a experiência no livro "Lutando na Espanha".







"Benjamim sentiu um focinho esfregar-lhe o ombro. Era Quitéria. Seus olhos pareciam mais encobertos que nunca. Sem dizer palavra, ela o puxou delicadamente pela crina, levando-o até o fundo do grande celeiro,onde estavam escritos os Sete Mandamentos. Durante um ou dois minutos ficaram olhando a parede alcatroada com o grande letreiro branco. Minha vista está falhando - disse ela, finalmente.
- Mesmo quando eu era moça não conseguia ler o que estava escrito aí. Mas parece-me agora que parede está meio diferente.Os Sete Mandamentos são os mesmos de sempre, Benjamim? Pela primeira vez, Benjamim consentiu em quebrar sua norma e leu para ela o que estava escrito na parede. Nada havia, agora, senão um único Mandamento, dizendo:

TODOS OS ANIMAIS SÃO IGUAIS MAS ALGUNS ANIMAIS SÃO MAIS IGUAIS DO QUE OS OUTROS " ("A Revolução dos Bichos", George Orwell)
Ilustração Kuco
O quadro Guernica, óleo sobre tela de autoria de Pablo Picasso, foi inspirado pelo bombardeio da cidade de Guernica, capital da província Basca, no dia 26 de abril de 1937. Aviões alemães da Legião Condor atacaram a cidade por ordem do General Franco. Dos 7.000 habitantes, 1.654 foram mortos e 889 ficaram feridos. A destruição de Guernica foi a primeira demonstração da técnica de bombardeamentos de saturação, mais tarde empregada na Segunda Guerra Mundial. O mural pintado por Picasso retrata a desgraça que abateu a cidade: durante as 2 horas e 45 minutos, os moradores de Guernica sofreram com os bombardeios. Muitos, desesperados, correram para os arredores do lugarejo e foram atingidos por rajadas de metralhadora disparada pelos caças alemães.
Deu baixa após um ferimento a bala no pescoço e voltou à Inglaterra, tendo escrito em 1938, "Homenagem à Catalunha", que saiu no Brasil com título de "Lutando na Espanha". A partir desse livro, um amargo e desencantado testemunho ocular da guerra, consolidase seu objetivo literário. Como o autor afirmaria no ensaio "Por que Escrevo", de 1946, o de "transformar a escrita política em arte". E acrescenta: "Escrevo porque existe alguma mentira para ser denunciada, algum fato para o qual quero chamar a atenção, e penso sempre que vou encontrar quem me ouça."
DESAFETOS
Ainda em 1938, contraiu tuberculose e passou uma temporada em Marrocos, onde escreveu a novela "Coming Up For Air", publicada em 1939, ano em que começou a segunda guerra mundial. Orwell pensou em lutar, mas foi declarado fisicamente inapto. Ilustração Kuco Depois de sua intensa vivência espanhola, ele se mostrou decepcionado com os partidos comunistas, com sua estrutura rígida e obediência irrestrita a Moscou. Se por um lado sua postura de socialista revolucionário se fortaleceu, ao mesmo tempo cresceu nele o anti-stalinismo, levando-o a uma espécie de socialismo independente. Em 1941, trabalhando para a BBC, escreveu o ensaio "O Leão e o Unicórnio". Na época, defendia a nacionalização "da terra, das minas, das estradas de ferro, dos bancos e das principais indústrias". Ainda durante a guerra, serviu num corpo civil para defesa local.

"A REVOLUÇÃO DOS BICHOS"
Além do fascismo e do imperialismo, outros grandes inimigos de Orwell eram a desonestidade de propósitos e as atitudes politicamente ambíguas dos que apoiavam o regime comunista de Stalin. Isso ficou ainda mais claro quando, na Segunda Guerra, a União Soviética se aliou ao Ocidente contra Hitler. Em 1943, Orwell tornou-se editor literário do jornal Tribune e começou a elaborar uma fábula que exibisse o totalitarismo e a face burguesa da Rússia. Ali, os comunistas eram representados pelos porcos de uma fazenda inglesa dirigida por animais: "A Revolução dos Bichos". Naquela circunstância, "estar disposto a criticar a Rússia e Stálin é a prova da honestidade intelectual", afirmou em agosto de 1944. Vários editores britânicos se recusaram a lançar o romance, temendo criticar o aliado inglês na guerra. Finalmente, o livro acabou saindo, em 1945. Foi um acontecimento literário, que ajudou a alertar o Ocidente sobre a verdadeira natureza do regime de Moscou.
Nesse trabalho, o autor superou em definitivo a trama muitas vezes pobre de suas primeiras novelas, tratando com desenvoltura seu argumento, num cenário que lhe era muito familiar. Afinal, era apaixonado pelo campo, onde vivera no fim dos anos 1930. Na sátira, ele criticava duramente a corrupção pelo poder, indo do particular para o geral. Essa habilidade, aliás, constitui um dos pontos fortes da obra de Orwell, principalmente nos ensaios sobre política.
"1984"
Com o fim da guerra, Orwell foi para uma ilha na Escócia. Lá, aprofundou sua condenação ao autoritarismo de todos os gêneros em seu último livro, o mais conhecido: "1984", que guarda semelhanças com "Admirável Mundo Novo" (1932), de seu companheiro de escola Aldous Huxley. George Orwell foi um dos mais influentes escritores políticos do século 20, dado o alcance histórico e geográfico de sua literatura. A propósito, a expressão guerra fria, que marcou a segunda metade do século, apareceu pela primeira vez num artigo de Orwell, de acordo com o registro do Oxford English Dictionary.
1984, o filme
O Grande Irmão chegou aos cinemas em adaptação inglesa dirigida por Michael Radford e estrelada por John Hurt. O roteiro é bastante fiel à obra de Orwell e mantém a atmosfera sombria e tensa do livro.
Ficha Técnica 1984
País: Inglaterra
Ano de produção: 1984
Direção: Michael Radford
Elenco: John Hurt, Richard Burton, Suzanna Hamilton, Cyril Cusack, Gregor Fisher, James Walker.
Duração: 113 min.
Reprodução
TRAIÇÃO?
O Leão e o Unicórnio Publicado em "Por que escrevo e outras histórias", o ensaio "O Leão e o Unicórnio: O Socialismo e o Gênio Inglês" é o texto mais intervencionista de Orwell. Publicado em plena Segunda Guerra Mundial, o texto critica fortemente a passividade inglesa em relação ao totalitarismo de Hitler e defende a visão socialista da economia. Também critica fortemente o pensamento de esquerda inglês, quer por ser favorável à tirania soviética, quer por ser o produto de intelectuais desligados da realidade. A frase que abre o ensaio é antológica: "Enquanto escrevo, seres humanos civilizadíssimos sobrevoam-me, tentando me matar".
O escritor morreu de tuberculose em Londres, em 21 de janeiro de 1950, com 47 anos incompletos. Antes, porém, envolveuse num polêmico episódio no qual, segundo alguns historiadores, ele teria denunciado ao governo britânico 130 suspeitos de comunismo. Outros acreditam que Orwell apenas forneceu uma lista de nomes para que essas pessoas não viessem a receber propaganda anticomunista. Segundo consta, aqueles acusados não sofreram nenhuma retaliação.
Passadas décadas desde esses acontecimentos, interessa-nos perguntar qual a utilidade de ler o autor ainda hoje, quando seus maiores adversários políticos - o imperialismo, o fascismo e o comunismo - estão praticamente derrotados. Afinal, foi exatamente nos anos 1980 que começou a cair o regime soviético que inspirou 1984...
Há muitas respostas possíveis, entre elas a de que Orwell merece ser lido, mais que por interesse histórico, pela honestidade, coragem e fidelidade aos ideais em que acreditava. "Capaz de exagerar com a simplicidade e a inocência de um selvagem", como disse Pritchett ao resenhar "O Leão e o Unicórnio", o escritor tem uma importante lição a nos transmitir sobre engajamento e paixão na literatura, ainda mais útil num tempo como o atual, em que predominam o individualismo e a apatia.
(*) Sergio Amaral Silva é jornalista e escritor, ganhador do Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos, categoria Literatura.
BIG BROTHER , O ORIGINAL
No livro "1984", publicado pela primeira vez em 1949, Orwel imag inou uma sociedade futura em que uma simples ideia podia ser considerada crime.
Nesse ambiente opressivo, todas as pessoas eram permanentemente vigiadas por teletelas, sentindo-se invadidas e sem direito a qualquer privacidade. No comando de tudo, estava o chefe supremo do Partido Único, o Grande Irmão (no original, Big Brother). Onipresente, ele é visto nas telas e cartazes espalhados por toda a parte. Apesar disso, jamais aparece em público, podendo mesmo não ser uma pessoa real. A reafirmação do slogan "O Grande Irmão zela por ti", de seus feitos e liderança conduzem o povo a acreditar em sua presença.
Querendo situar aquele regime num futuro mais ou menos longínquo, Orwell inverteu os dois algarismos finais do ano em que escrevia. Debaixo da atmosfera opressiva, o personagem principal, Winston Smith, é um funcionário do Ministério da Verdade, encarregado de criticar a imprensa, modificando, até mesmo, o registro de fatos já ocorridos, para que o Partido permaneça no poder.
Alguns estudiosos da obra de Orwell associam o Grande Irmão ao ditador soviético Joseph Stalin, com alguns toques da propaganda nazi-fascista. Mas ele pode também ser vinculado a algumas religiões, porque está em todos os lugares e vigia todos os passos. Controlando as emoções, o Partido exerce uma espécie de liderança invisível, comparável à de certas igrejas. "Só obedeço ordens" e "Isto é um dogma" são frases que justificam um poder inquestionável.
A figura do Grande Irmão domina, assim, toda a sociedade e manipula até a forma de pensar dos indivíduos. Com o sucesso do livro, a expressão inglesa se tornou internacionalmente conhecida. Em 1999, John de Mol, executivo da TV holandesa e sócio da companhia Endemol, criou um "reality show" cujos participantes são selecionados entre pessoas comuns que não se conhecem previamente e passam a conviver numa casa, onde permanecem confinados por várias semanas, observados por câmeras 24 horas.
O nome escolhido para o programa foi ... Big Brother, adotado assim mesmo, no original, em vários países de língua não inglesa que o apresentam em produções locais, como o Brasil e Portugal. No entanto, nas versões do livro publicadas no Brasil, o personagem assustador aparece com o nome traduzido de Grande Irmão. Mesmo considerado por muitos críticos como inferior a "A Revolução dos Bichos" do ponto de vista literário, "1984" representa hoje bem mais que um panfleto. Todavia, há os que ainda lhe negam a condição de romance, como o escritor Milan Kundera, que declarou tratar-se de um "pensamento político encapotado".
"A Revolução dos Bichos", versão rock'n'roll
"A Revolução dos Bichos", versão rock'n'roll
A influência da obra de George Orwell se estendeu até o rock progressivo. No seu décimo álbum, "Animals", a banda Pink Floyd se inspirou no livro "A Revolução dos Bichos" para compor letras que falam sobre as contradições e as injustiças da sociedade capitalista. O álbum marcou época, a começar pela capa, composta por uma sobreposição de duas imagens. A primeira é da usina elétrica Battersea Power Station, instalada às margens do rio Tâmisa. A segunda imagem tem uma história curiosa. A banda encomendou que a fábrica alemã Ballon Fabrik, a mesma responsável pelos famosos Zepelins, construísse um "balão" gigantesco em formato de porco, que foi inflado com gás hélio. O porco, no entanto, acabou se soltando do cabo e passou a flutuar pelo céu de Londres, até ir pousar na cidade de Kent. As imagens captadas no episódio foram usadas na divulgação do álbum e nos shows da banda, e a capa do álbum mostra o "dirigível" de porco flutuando sobre a usina elétrica inglesa.




Fonte :
http://literatura.uol.com.br/literatura/figuras-linguagem/24/artigo144825-1.asp



Eleições

Insatisfeita com o perfil dos candidatos nessas eleições, andei pesquisando um pouco sobre o voto nulo e o voto facultativo.

Adianta votar nulo?

O voto nulo é um protesto que funciona? Tem algum poder para pressionar o governo? Saiba o que sociólogos e políticos acham da questão mais polêmica das eleições

por Texto Liliana Pinheiro

É um saco. Você liga a TV e as mesmas palavras aparecem: desvio de dinheiro público, improbidade administrativa, caixa 2. Sem falar nos deslizes que os governos cometem mesmo quando são bem-intencionados. Diante de tanta desilusão com a política no Brasil, muita gente decide chutar o balde, recusar todos os candidatos de uma vez e votar nulo. Outros se perguntam se, afinal de contas, o ato de anular tem algum valor para melhorar o país. No orkut, o site de relacionamentos, há 55 comunidades que tratam explicitamente do voto nulo: 44 são a favor; 8, contra; 3 registram prós e contras, sem posição firmada. O assunto também está na TV. A MTV, em agosto, foi acusada de fazer propaganda do voto nulo em uma vinheta que sugeria ao público jogar ovos e tomates nos políticos. No ano de 2002, a última eleição presidencial, 7 milhões de brasileiros escolheram votar nulo. Será que esses votos são resultado de uma atitude digna? Ou significaram simplesmente tomar uma decisão alienada de jogar um direito no lixo?
Na história, o voto nulo já foi uma bandeira ideológica. Era uma idéia básica dos anarquistas, um dos movimentos utópicos que nasceram no século 19 e fizeram sucesso no começo do século 20. Para eles, votar nulo era uma condição para manter a própria liberdade, se recusando a entregá-la na mão de um líder. Anarquistas como o filósofo francês Pierre-Josef Proudhon não viam grande diferença entre reis tiranos que oprimiam seus súditos e presidentes eleitos pela maioria. “Não mais partidos, não mais autoridade, liberdade absoluta do homem e do cidadão”, pregava Proudhon. O sonho dos anarquistas era uma sociedade organizada pelas próprias pessoas, sem funcionários, sem autoridades e sem líderes.
Hoje, esse discurso utópico está empoeirado. Parece coisa do passado. Mas há quem se pergunte se um pouco da utopia da década de 1930 não serviria como uma opção coerente diante de tantos problemas e absurdos da democracia. A favor ou contra o voto nulo, todos concordam que o atual sistema político do Brasil tem problemas muito mais profundos que a escolha de um ou outro candidato. Segundo o IBGE, mais de 30% dos brasileiros não sabem quem é o governador de seu estado. Dois em cada 10 brasileiros não conseguem dizer quem é o presidente da República, e só 18% praticaram alguma ação política, como fazer uma reclamação ou preencher um abaixo-assinado. “A democracia virou um espetáculo de televisão que emerge apenas durante a época de eleições”, afirma o sociólogo Edson Passetti, pesquisador do Departamento de Política da PUC-SP. “O cidadão renunciou a sua consciência crítica e migrou para uma posição de opinião pública, que é forjada pela televisão.” Para Passetti, votar nulo não serve para eliminar corruptos da política, mas pode funcionar como uma crítica generalizada. “Optar pelo voto nulo é saudável como protesto contra todo um sistema.”
Anular também parece uma boa para quem não se contenta ou não vê diferença entre os candidatos. “Política é escolha. E o voto nulo é uma escolha como qualquer outra”, afirma Francisco de Oliveira, professor de Sociologia da Universidade de São Paulo (USP). Não se trata de um acadêmico que enxerga a política apenas teoricamente. Hoje com 71 anos, Francisco participou do governo do presidente João Goulart até 1964. Com o golpe militar, teve que sair do Brasil para não ser perseguido pela ditadura. Na década de 1980, se uniu a um grupo de amigos e ajudou a fundar o PT, partido com a maior bancada na Câmara dos Deputados. Mas, na próxima eleição, se o segundo turno se confirmar entre os dois candidatos a presidente líderes nas pesquisas, Francisco pretende anular. “Como os candidatos já abdicaram da política para seguir a ordem financeira internacional, parecem todos iguais”, afirma.
A campanha da MTV sobre as eleições, apesar de a emissora afirmar que não pretendeu incentivar o voto nulo, também colocou todos os candidatos no mesmo saco. Com zurros de burro ao fundo, a vinheta recomendou: “Cuidado. De um lado, o governo sujo pela corrupção e pela hipocrisia. De outro, a oposição que pensa que todo mundo é idiota e não se lembra do que fizeram quando estavam no governo”. E o que aconteceria se a maior parte dos eleitores tomasse uma decisão coletiva de recusar todos os candidatos e votasse nulo?
Nulo na prática
Ninguém sabe, nem mesmo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Um passeio pela internet e pelo orkut propicia uma festa de aberrações na forma de campanhas pela anulação. Afirma-se, por exemplo, que os pleitos (para cargos majoritários ou proporcionais) seriam cancelados caso houvesse mais de 50% de votos nulos. Isso é conversa fiada, avisa o TSE. No caso da eleição para deputados federais, estaduais e senadores, pode haver maioria folgada de votos nulos, que, ainda assim, os deputados tomarão posse. Mesmo se tiverem meia dúzia de votos. A Constituição garante que servem somente os votos válidos (excluindo-se os nulos e brancos) e ponto final. Já no caso de presidente e governador, nem o TSE tem certeza do que aconteceria. É que existem duas leis conflitantes sobre o tema. A Constituição, de 1988, reza que valem só os votos válidos. Mas o Código Eleitoral, de 1965, prevê a anulação em caso de mais de 50% de votos nulos numa eleição majoritária. Se isso ocorrer, o impasse deve seguir para julgamento do TSE e depois do Supremo Tribunal Federal (STF), que decidiria ao sabor da pressão política. A democracia no Brasil provavelmente ficaria abalada. A insegurança política resvalaria na economia, com os investidores estrangeiros retirando seus dólares do país.
Mas enquanto o voto nulo ficar como quarta ou quinta preferência do eleitor, por volta dos 10% dos votos, é difícil que vire pressão política. Isso porque, para muitos especialistas, os políticos brasileiros pouco se importam com o que o eleitor está pensando. “Poucos vão se impressionar, tal o nível de desapreço à opinião do eleitor, que se mede pelo cinismo com que políticos trataram os recentes episódios de corrupção”, diz Claudio Weber Abramo, diretor-executivo da organização Transparência Brasil, entidade que reúne organizações não-governamentais de combate à corrupção. “O voto de protesto chegou a fazer sentido na ditadura. Hoje, não.”
Quando o país votava escrevendo em cédulas de papel, era comum aparecerem entre os vencedores personagens esquisitos, como o rinoceronte Cacareco, campeão de votos a vereador de São Paulo em 1958, ou o bode Cheiroso, eleito vereador em Pernambuco (veja outros casos na página a seguir). Hoje, sem a cédula de papel, os bichos estão fora da votação. Para protestar na urna eletrônica, ou se digita um número inexistente ou se escolhe um candidato pitoresco. Mas, aí, o risco é grande. Em 2002, por exemplo, 1,6 milhão de eleitores votaram no excêntrico Enéas Carneiro, do Prona, para deputado federal. Ninguém pode dizer se os votos foram por convicção ou deboche. O fato é que a expressiva votação de Enéas garantiu, pelo critério de representação proporcional, que outros 5 candidatos de seu partido chegassem ao Congresso com ele. Alguns tinham menos votos que o bode Cheiroso que conquistou os pernambucanos.
Sem se valer de bichos ou candidatos diferentões, o voto nulo perde efeito. “Os corruptos não darão a mínima. Estão blindados por seus partidos”, afirma o cientista político Bolívar Lamounier. Para ele, outro problema da anulação seria como identificar o voto de protesto entre os que vêm de erros durante a votação. Lamounier fez estudos sobre o pleito de 1970, quando houve uma chamada dos estudantes em favor do voto nulo para desafiar a ditadura, e o de 1974, quando as lideranças políticas já punham em dúvida esse expediente. “Conseguimos identificar o protesto em apenas um terço dos votos inutilizados na cédula de papel. O restante era decorrente de erro ou desinformação”, diz. “Hoje, com a urna eletrônica, é impossível saber o que é voto de protesto.”
É por isso que a maioria dos intelectuais e especialistas em política considera o voto nulo uma bobagem. “Dar uma de avestruz, enfiando a cabeça na areia e deixar o vendaval passar, é a melhor forma de comprometer negativamente o futuro do país”, disse à Super o presidente do TSE, ministro Marco Aurélio Mello. Para ele, já é suficiente fazer uma escolha responsável, que diminua o poder dos corruptos. “O voto nulo só beneficia os que cometeram desvios de conduta no exercício do poder.”
Para o deputado federal Fernando Gabeira (PV-RJ), se os sujeitos informados optarem por não fazer escolhas, a eleição será decidida por cidadãos menos esclarecidos. “O voto nulo vai favorecer patrimonialistas ou, melhor dizendo, ladrões. Eles têm muito dinheiro para gastar nas campanhas políticas e contam com a desinformação do eleitor”, afirma.
Mas e se quem votasse nulo fossem os menos informados, e não os eleitores conscientes? É o que pergunta o jornalista Guilherme Fiúza. “O que é pior: o voto nulo ou o voto entediado? Um eleitorado entediado é capaz, por exemplo, de eleger uma Rosinha Garotinho em primeiro turno”, escreveu ele em agosto no site No Mínimo. Desse ponto de vista, o voto nulo não serve como protesto, mas como exercício de consciência: se o eleitor não conhece os candidatos bem o suficiente para votar neles, é melhor ficar quieto e não votar em ninguém. “O tédio pode ser mais anárquico que a própria anarquia”, afirma Fiúza. Como você vê, há argumentos suficientes para escolher um dos candidatos registrados no TSE ou anular. O voto nulo pode ser um direito jogado fora, mas também uma escolha consciente de quem não se sente apto para tomar uma decisão. Votando nulo ou não, o que não vale é o eleitor não pensar no que faz.
VOTE NULO
• Votar é um ato de renunciar à própria liberdade. Não precisamos de líderes para nos impor leis e criar regras que limitam nossos direitos.
• A democracia se tornou um espetáculo de televisão. O eleitor escolhe candidatos como produtos. É preciso negar esse sistema.
• Não é possível mudar o sistema político por dentro dele. A política muda as pessoas, levando qualquer um à corrupção.
• Os candidatos são cada vez mais parecidos. A briga entre eles é falsa e serve para que ainda haja esperança na democracia e para que continuem no poder.
• Se o eleitor não está contente com nenhum candidato, tem o direito de anular. É uma escolha legítima como qualquer outra.
Política não é só voto, também é pressão e participação pública. As eleições sugerem que não há outra atitude política além do voto.
• Se o eleitor não conhece os candidatos, corre o risco de votar em corruptos. Portanto, sua melhor opção é anular.
NÃO VOTE NULO
• É claro que precisamos de líderes e representantes de nossas opiniões e desejos. Uma sociedade sem líderes seria anárquica e acabaria em barbárie.
• O voto nulo tem pouco valor como protesto, já que os políticos brasileiros não se importam com a opinião do eleitor.
• Mesmo se a maioria da população anulasse o voto, não haveria efeito nenhum, já que a Constituição considera apenas os votos válidos.
• A corrupção no Brasil está concentrada em alguns grupos. Basta evitá-los e conhecer bem os candidatos, para a política melhorar.
• Anular é uma atitude alienada, de quem não se importa com o rumo do país. Retirar-se da discussão é fácil, porém perigoso.
• A política não é só voto, mas ele é uma peça importante para decidir os rumos do país e não exclui outras formas de ação política.
• Se as pessoas conscientes anularem o voto, a eleição será decidida apenas pelos menos capacitados.

Casos clássicos de voto nulo

Macaco para prefeito
Em 1988, depois do fracasso do Plano Cruzado, o macaco Tião, habitante do zoológico do Rio de Janeiro, foi lançado candidato a prefeito. Terminou em 3o lugar, com 400 mil votos (9,5% do total).
Coronel Cheiroso
O bode Cheiroso é um famoso candidato nulo. Em Jaboatão (PE), recebeu 400 votos para vereador. Bodes com o mesmo nome já venceram em Olinda (PE) e Minas Gerais.
Nulos anulados
O maior índice de nulos das últimas eleições para deputado federal foi em 1994: 25,2% dos votos. Para presidente, foi em 1998, com 10,7%. Não há registro de que surtiram efeito como protesto.

Para saber mais

A Democracia Brasileira no Limiar do Século 21 - Bolívar Lamounier, Fundação Konrad Adenauer, 1995
www.transparencia.org.br - Transparência Brasil
www.tse.gov.br - Tribunal Superior Eleitoral
Origem do artigo :
http://super.abril.com.br/cultura/adianta-votar-nulo-446574.shtml 


VOTO NULO: Mitos e Verdades

Nunca a grande imprensa no Brasil deu tanta atenção ao Voto Nulo. Inúmeros veículos produzem reportagens sobre as vantagens e desvantagens de votar nulo. Trazem comparações, declarações de órgãos oficiais, entre outros meios de esclarecimentos.No entanto, ainda não está claro para a população o que significa o Voto Nulo. Alguns têm medo da reeleição do Lula e, por isso, fazem campanha contra essa postura. Outros acreditam que se todos votarem nulo pode haver uma nova ditadura militar. Os mais incrédulos ainda divulgam de que nada adianta votar nulo. Enfim, entre tantos argumentos antagônicos e desesperados, poucos digerem a síntese da situação.

Direito constitucional adquirido
O Voto Nulo não é um erro. É um direito adquirido nestes mais de cinqüenta anos de regime democrático.Como todos sabem no nosso país o voto é obrigatório. Então há algumas possibilidades para os eleitores escolherem: votar em uma legenda, votar em um candidato(a), votar em branco (oferecendo seu voto de brinde à maioria) ou Votar Nulo.O Voto Nulo é uma forma de os eleitores mostrarem a sua indignação perante a falta de propostas políticas sérias ou ao regime vigente. Se o cidadão não acredita em nenhuma legenda e não deseja dar o seu voto de brinde, ele também pode exercer a sua cidadania votando nulo.Muitos acreditam que o termo "Voto Nulo" não está correto, pois dá a impressão de nulidade, falta de concepção política, entre outras interpretações. O correto seríamos ter o "Voto de Protesto", substituindo o termo vigente para esta intenção de voto. Ou seja, todos aqueles que acreditam no futuro do país, os quais desejam o bem-estar dos cidadãos da nação mas não compactuam com a corrupção escancarada nos corredores da república, têm a opção de "protestar" legitimamente através do seu "Voto de Protesto". Afinal, vivemos ou não num regime democrático?

Resultados?
Todos os veículos que mencionaram o Voto Nulo em suas reportagens atentam para o resultado de uma eleição aonde todos votem nulo. "Os partidos não poderão mais inscrever os mesmos candidatos, a eleição será anulada, haverá uma próxima eleição...".Segundo as últimas declarações do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Marco Aurélio Mello, os votos nulos não anulam a eleição, apenas diminuem a porcentagem de votos válidos necessários para se eleger um candidato(a).Vamos partir de outro pressuposto: é impossível que todos votem nulo nesta eleição. Por exemplo, no Brasil existem dezenas de partidos políticos com milhões de filiados, estes com certeza não vão votar nulo, não havendo também possibilidade alguma de anulação da eleição por este prisma. Vamos aos demais argumentos mais levantados: muitos têm medo da reeleição do presidente Lula. Porém, todos sabem que o resultado da eleição em si não importa, pois se o PT, PSDB, PMDB, PTB ou o PCC ganhar não vai mudar nada; há ainda os que têm medo de uma nova ditadura militar. Para os militares não interessa uma nova ditadura neste momento do país já que na sua última "gestão" eles adquiriam direitos e regalias que os tornam intocáveis. Ninguém põe a cara contra eles e todos os tenentes, coronéis e brigadeiros estão muito bem de vida para se meter com a administração desta pátria órfã tão problemática; e aos defensores de que o "Voto Nulo" nada adianta, fica a questão: o voto em uma legenda adianta? Analise a história do Brasil desde esta praga política recém-instaurada e conclua.

Conclusão
O "Voto Nulo" é um direito de todos. Não importa se 50% ou mais da população vai votar nulo ou se os candidatos(as) vão precisar de menos votos "válidos" para serem eleitos(as). O que importa é a sua postura e a sua opção. Não devemos pensar no que pode ocorrer se todos votarem nulo, mas sim, nos preocupar se todos vão continuar votando nas mesmas legendas, que carnavalizam e vendem o futuro do país por carros importados e viagens para o exterior. Essas legendas que afastam o nosso sonho de um dia vivermos em um país justo, em uma verdadeira Democracia.Em nenhum país do mundo, principalmente no Brasil, foi aplicada a Democracia. 

 Na Europa, nos Estados Unidos, na Rússia e até mesmo em países comunistas não há e nunca houve Democracia. Essa é a maior utopia difundida pelos liberais em toda a história da humanidade ocidental. Hoje, nós vivemos em um regime democrático, com poucos traços de Democracia e estamos muito mais próximos de uma "demagogia". Se vivêssemos em uma democracia, por exemplo, todos teriam acesso à saúde, educação e arte, tudo que consta na nossa constituição. O problema é que a prática nefasta dos três poderes afasta-nos dos direitos adquiridos. Nossa constituição trai, omite, vende e fere os direitos do cidadão quando permite que os mais poderosos tirem maior proveito das leis e que as elites (os donos dos meios de produção) barbarizem as famílias oferecendo salários irrisórios, praticando o "trabalho escravo institucionalizado".Se vivêssemos em uma Democracia não haveria mensalões, caixa dois, sanguessugas, dólar na cueca, enfim, nosso país seria uma nação! Nós teríamos orgulho de ser brasileiros vislumbrando nossos líderes! Nós respeitaríamos as elites (intelectual e industrial) e reverenciaríamos sua postura de sempre buscar o bem de todos os cidadãos com RG e CPF!Se nós vivêssemos em uma Democracia, nosso país só exportaria alimentos se não houvesse mais fome e miséria! Se o Brasil fosse uma Democracia, os partidos políticos atuais seriam as oposições, representando os interesses das mesmas oligarquias, lutando para que nossa "Democracia" se tornasse apenas uma "Votocracia" novamente!

Origem do artigo :

http://jornaldedebates.uol.com.br/debate/para-que-serve-voto-nulo/artigo/voto-nulo-mitos-verdades/48

 E esse sobre voto facultativo :

Sistema eleitoral: Voto facultativo ou voto obrigatório? Partido ou candidato, quem deve ser o maior beneficiário?

Numa democracia pode-se ver o voto facultativo como mais adequado do que o voto obrigatório, já que o primeiro dá o direito de escolha às pessoas para votarem ou não. No entanto, esses dois tipos de votos apresentam prós e contras.

Foto Regina Ferretto D'Azevedo
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Numa democracia pode-se ver o voto facultativo como mais adequado do que o voto obrigatório, já que o primeiro dá o direito de escolha às pessoas para votarem ou não. No entanto, esses dois tipos de votos apresentam prós e contras.

No Brasil, o sistema vigente é o voto obrigatório, o qual o eleitor não pode se escusar, sem justo motivo, a emitir seu voto, sendo-lhe aplicadas sanções pela falta injustificada.

Uma desvantagem do voto obrigatório é que muitas pessoas votam apenas pela obrigação, sem ao menos se inteirar da política dos candidatos. Além disso, os políticos se aproveitam das pessoas mais pobres e menos informadas para lhes oferecerem algo em troca de seus votos. Podendo este ser muito grave num país como o Brasil, devido a grande quantidade de pobres e analfabetos. Deste modo está claro porque os políticos apóiam o voto obrigatório, pois quando candidatos podem se favorecer através deste tipo de voto.

Já o voto facultativo acarreta em muitas perdas de votos, pois as pessoas deixariam de votar por causa do desestímulo, devido as mais variadas causas. No Brasil, caso houvesse este tipo de voto, estas causas seriam, talvez, a tamanha corrupção, a dificuldade de acesso às áreas de votação, por exemplo, na Região Norte pois há que se atravessar, muitas vezes, matas e rios, ou mesmo o desinteresse pela política. Porém, é melhor alguns votos com consciência do que muitos, onde diversos são "comprados", "desperdiçados" (brancos e nulos) ou inconscientes.

Sendo, assim, para que se chegue mais perto da "eleição do povo para o povo", tanto com o voto obrigatório quanto o facultativo, é necessário e indispensável motivar os eleitores a terem um maior engajamento político, mostrando o quanto este é importante e influente em nosso futuro.

Quanto a questão de votar no partido ou no candidato, mesmo acreditando que a votação para o partido seria mais coerente e, quiçá, mais eficaz, não há como implantar este modo em todos os países. Pois, num país como o Brasil, onde há muitos partidos perde-se a ideologia, tornando-se inviável votar em chapas em decorrência do incontável número de representações somado à famosa chamada "troca de favores" existente entre os partidos. Além disso, o candidato eleito pode se desligar de seu partido quando quiser. Essa falta de ideologia dos partidos juntamente com a falta de fidelidade partidária fazem, também, com que o plano de governo do partido seja pouco respeitado e a administração no período do mandato seja personalista.

Teoricamente, o ideal seria que houvesse poucos partidos com doutrinas e ideologias bem definidas e a fidelidade partidária, de modo a garantir a continuidade administrativa do país de acordo com a vontade da maioria da população. 

Origem do artigo :
http://www.direitonet.com.br/artigos/exibir/465/Sistema-eleitoral-Voto-facultativo-ou-voto-obrigatorio-Partido-ou-candidato-quem-deve-ser-o-maior-beneficiario